Nos últimos anos, a sustentabilidade do setor hortícola na região tem sido questionada devido ao impacto ambiental que esta atividade poderia ter. Esta visão foi agravada pela eutrofização dos aquíferos, em parte devido ao aumento de nitratos e fosfatos provenientes de lixiviados agrícolas. Este facto, juntamente com outros problemas estruturais no sector das frutas e produtos hortícolas, está a ter um impacto negativo num dos pilares da economia murciana. Por isso, é necessário prever medidas e soluções para revitalizar o setor agrícola regional. Nesta linha, este projeto fornece soluções inovadoras e alternativas para o futuro que ajudarão a fortalecer o setor agrícola murciano.
Este projeto baseia-se no desenvolvimento paralelo de quatro aspetos fundamentais em sistemas de produção em culturas protegidas:
- Desenvolvimento de um sistema integral (hardware) para a gestão e gestão da rega, nutrição e clima em estufas com culturas sem solo em sistema fechado.
- Desenvolvimento de uma arquitetura de controlo multicamadas para a gestão de culturas de estufas baseada nas mais recentes tecnologias de Internet das Coisas (IoT), sistemas ciber-físicos (CPSs) e plataforma de software cloud (Cloud Computing). Isso nos permitirá deslocalizar a inteligência do sistema e a personalização da produção, princípios herdados da filosofia da Indústria 4.0.
- Desenvolvimento de um sistema de análise de informação (Bigdata), modelação de sistemas e apoio à decisão para otimizar a rentabilidade das explorações agrícolas, principalmente em estufas.
- Estabelecimentos das condições agronómicas ótimas para a produção sustentável dos chamados “superalimentos”, onde se situam os frutos vermelhos ou bagas.
Para concretizar este projeto, três empresas líderes da região colaboraram com duas instituições com grande experiência no desenvolvimento de projetos de I+D+i. A empresa Riegos y tecnologías SL irá desenvolver um sistema abrangente para irrigação, nutrição e gestão climática em estufas. Isto incluirá a gestão de sistemas fechados. Uma parte muito importante do sistema é composta por uma unidade de osmose. Esta será desenvolvida pela HIDROTEC, caracterizada por trabalhar com elevada eficiência e desenvolver um sistema para reduzir o impacto que a salmoura atualmente tem, valorizando este lixo e evitando a poluição ambiental. A empresa OdinS é uma empresa EBT que irá desenvolver a arquitetura de controlo multilayer utilizando Sistemas Ciber-Físicos (CPS) responsáveis pela execução de tarefas críticas e que atuará como interface com o sistema integral. Os CPS irão ligar-se ao próximo nível de controlo (computação de borda) que estará disponível para os diferentes módulos de controlo da estufa (virtualizado). Uma terceira camada de controlo é responsável pela análise de dados e pelo Bigdata, onde a Universidade de Murcia (UMU) desenvolverá os diferentes módulos da plataforma cloud encarregues da extração de conhecimento, modelação e otimização do sistema. A UMU irá utilizar as tecnologias mais recentes incluídas no que tem sido chamado de “Indústria 4.0” (Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem, “Big Data” e análises, integração de sistemas, etc.) para utilizar a informação obtida para modelar e ajudar na decisão no controlo integral das culturas desenvolvidas em estufas. Por fim, o Departamento de Nutrição Vegetal do CEBAS-CSIC oferece vasta experiência em culturas sem solo e em estufa e contribuirá para estabelecer as condições ideais para o cultivo de frutos vermelhos com elevado teor de produtos nutracêuticos e elevada produtividade.
Assim, este projeto não só contribuirá para a revitalização do setor agrícola da Região de Múrcia, aproveitando as características climáticas ótimas da Região de Múrcia, e contribuirá para o desenvolvimento da agricultura sustentável, como também colocará outras empresas murcianas na vanguarda da inovação tecnológica, podendo aplicar estas tecnologias a outros sistemas de produção agrícola e a outras culturas de grande interesse para o desenvolvimento económico da nossa região.











